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Se sua sensibilidade a assuntos religiosos é alta, não leia este post. Ou leia, e deixe seu comentário desagradável abaixo. :-E

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Meu conjunto de crenças “religiosas” é bastante peculiar. Posso dizer, sem vergonha, que acredito em todos, sem mútua exclusão. Afinal, o gato pode estar vivo e morto, logo, todo mundo pode estar no céu de uns e no inferno de outros, simultaneamente. Claro, dou preferência para Eris, mas ela não é ciumenta. Acho. Espero.

Recentemente, percebi como é que deviam se formar a crença em deuses nos primórdios da humanidade, e tenho a impressão de que o processo continua se repetindo nos dias de hoje (com nomenclaturas diferentes, muitas vezes).

Vou tomar por exemplo dois amigos meus que foram “divinizados” – só de brincadeira (ou não).

O Claudião é conhecido por todos os amigos dele como Deus. Ninguém disputa essa divindade dele. Mas, é difícil apontar quem começou a chamá-lo / considerá-lo assim. O mesmo acontece com muitas das divindades. Não se sabe muito bem quem começou com a história. Muitas vezes, um conjunto de pessoas é considerado o “grupo fiel” inicial; outras vezes um único “profeta” é o responsável por trazer as boas notícias sobre o novo Deus. De um jeito ou de outro, exceto em lendas, você nunca vê a divindade em si espalhando seu culto, dizendo “acreditem em mim, me idolatrem” ou coisa parecida. Tem sempre algum representante envolvido.

O Ovo sofre de caso parecido, embora nem sempre ele seja considerado uma divindade, é certo que ele apresenta características similares ao supracitado Claudião. No caso dele, é uma clara questão de exageração (por vezes caricata) de tudo que ele faz / realiza. Novamente, isso pode ser comparado à sua divindade mediana: até que ponto não houve uma pequena ação, que foi multiplicada pela palavras e exagerações daqueles que queriam promover um determinado culto? Será que um homem não pode ter compartilhado inteligentemente um punhado de pães e peixes, satisfazendo a todos, levando à uma história de multiplicação mágica? Ou uma mulher não pode ter realmente ter participado de uma “suruba sagrada” com um touro, sendo que a parte da cria resultante seria mera invenção? (ou ainda, o próprio filho da mulher em questão, usando máscara. Who knows?)

Chegando a uma conclusão, vejo que não precisa-se de muito para criar um pequeno deus. Primeiro de tudo, ele não pode ser particularmente banal. Tem que ter algo que o diferencie dos outros, nem que seja em aparência (preferivelmente em atitudes). Segundo, junte alguns amigos e comece a espalhar a notícia dos milagres trazidos pelo seu novo pequeno deus. Terceiro, o próprio não pode estar partipando do projeto: é ideal que ele se mantenha ignorante e agindo como sempre, para que cada um de seus atos, por menores que sejam, possam impressionar as mentes sugestionáveis. E por último, mas não menos importante, tenha convicção na divindade de seu pequeno deus: infidelidade à divindade é pecado na maior parte das religiões.

Se precisar de uma ajuda para criar seu pequeno deus, leia também os grandes manuais. E consulte o pantheon.org.

4 Comentários

  1. Ótimo post, Álvaro.
    Fiquei pensando em como astros do rock e celibridades do cinema internacional também são divinizados pelos seus atos (ou pelo que dizem ser seus atos).
    Agora, vou recomendar esse post a outros amigos meus e torcer para uqe me divinizem, hehehe.

  2. Maradona.
    Tem até santuário em Buenos Aires. E o Clube do Boca Juniors que é onde ele foi ídolo máximo tem um cemitério exclusivo pra torcedores com carteirinha.

  3. O Ovo é um deus mesmo. Pequeno, bem pequeno, mas é, HAHUAHAHA!
    Precisamos retomar o projeto de endeusamento dele! >=D

  4. O tema do seu blog é Chaos Theory! Combina, meu caro companheiro erisianista. All hail qualquer-coisa! Mas você escreveu sobre o tema e não mencionou A Vida de Brian, que metaforiza justamente isso, sem ser banal. Mas a verdade é que não precisava. Mencionar Python num post assim talvez fosse, por si só, banal, vindo de alguém que alcança muito mais longe que isso.


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