Frequentemente me deparo com expressões anacrônicas. Com certeza vocês também já as viram. Caiu a ficha é uma delas. Se refere a um tempo (nem tão) distante, quando nossos telefones públicos funcionavam à base de fichas. O cair da ficha implica que a conexão foi feita, exatamente a idéia que tentamos passar.
Às vezes, você também pode ver alguém gesticulando uma manivela invísivel ao lado de dispositivos eletrônicos. Claro, hoje em dia, nenhum dispostivo eletrônico precisa disso, mas visite um museu e você verá exemplos e mais exemplos de aparatos movidos a manivela (dois museus legais em Sampa incluem o Museu da Casa Brasileira e o Memorial do Imigrante).
Minha expressão anacrônica favorita, no entanto, é “picar a mula”. Quando criança, exercitava minha imaginação fértil tentando entender a relação entre um açougueiro fatiando uma mula e o ato de sair rapidamente de algum lugar. Depois de crescido é que fui atinar que “picar”, em sua semântica mais rural, tem a ver com cutucar o animal em que se está montado para que ele ande mais rápido (meio como esporear, mas sem as esporas).
Aliás, usar a palavra anacrônico é um anacronismo por si só. Afinal, no uso corrente, tem mais chance de se falar em expressões antiquadas, de velho, ou coisa assim. Só gente muito anacrônica fala em anacronismo…